quarta-feira, 27 de junho de 2007

a praia


a bandeira estava encarnada mas nem isso me desmoralizou. estava a precisar de mar, de areia ( quem diria!), de vento e sal, de biquinis e calções de banho, de protector solar, quiçá de escaldões, de uma grande tosta e de olhar, melhor, de observar. o verão é praia e que ninguém me contradiga! soube bem dormir uma horinha ali a ouvir o som relaxante do mar agitado e o cheiro intenso a maresia. lembro-me de adormecer com o som de crianças divertidas, falavam inglês. tinha-te ao meu lado, (tenho-te sempre) e isso apaziguou-me. a praia dá-me aquela sensação de moleza e eu deixei-me levar. não tenho compromissos. NÃO TENHO COMPROMISSOS. deixei-me levar.
hoje rimo-nos IMENSO!

terça-feira, 26 de junho de 2007

don't go

tinha saudades. saudades de me sentar no escuro e sentir que este me abraçava, que já não tinha razões para ter medo, afinal já não tenho 4 anos. sentei-me na cadeira azul, já não me sento no chão. abri a gaveta do(a) (noite de) teclado. estava calor e abri a janela. já disse, as luzes estão apagadas, mesmo apagadas. se já não conhecesse este sítio de cor acho que chocava com a mesa, mas também já não tenho 4 anos. ponho a música a tocar. hoje apetece-me ouvir música quentinha. aquela musica que como o escuro, me abraça. abro a página, já está no histórico! a música amolece-me, o piano e o baixo, a bossa-nova, que vontade de evasão. mas já disse, hoje não. tenho o escuro, a luz do monitor, tenho o teclado, precisa de ser gasto. hoje já não tenho 4 anos, não tenho 4 anos, mãe. fui fechar a porta, não quero ouvir barulhos, os barulhos impedem a evasão mental, repito: " Hoje não,evasão física". a evasão física implica muito mais que evadir, implica despojamento material, não estou preparada ( provavelmente nunca estarei ). para além disso está de noite. eu já tinha dito que não há luz. só há a luz do monitor que ilumina tudo com um tom branco, fantasmagórico. até a sombra da parede consigo distinguir, sei que é branca, já conheço o sítio de cor. já o disse. imagino como é que está tudo lá fora. quieto não é de certeza, ouvi um ruído nas escadas "NÃO ME INCOMODEM!". só quero que estejas bem, em qualquer sítio que estejas. eu não te incomodo, afinal já não tenho 4 anos, nem medo do escuro.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

You were everything





"In a Manner of speaking
I just want to say
That I could never forget the way
You told me everything
By saying nothing"


15 de Julho no CoolJazzFest. A não perder

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Onde andas, MADDIE?

Hoje senti a melancolia dos dias de férias. Ainda não foi a verdadeira melancolia, mas ja posso dizer que passei o período da solidão alargada. Sinto que tenho todas as obrigações do mundo e nada me apetece fazer. enquanto isso acontece divirto-me a brincar com os dedos das mãos e a pensar na existência. depressa mudo de assunto por achar este ultimo demasiado complexo, really. entretanto ouço o ruído do televisor, do telejornal. Pela quinta ou sexta semana consecutiva todos ficaremos a saber o que aconteceu aos pais da Maddie. toda a gente sabe onde anda o casal McCann. Sinceramente nao percebo. mas admiro, admiro a garra que estes arrependidos tem que ter para continuar a procurar a criança que a esta hora muito provavelmente ja não se chama Madeleine, ja nao tem os olhos esverdeados nem tampouco é aloirada. a esta hora o provavel raptor ja nada tem que ver com o retrato robot que lhe foi atribuido e ainda para mais ja deve ter incendiado o casaco de ganga ou qualquer outra pista que o desse como suspeito. Meanwhile, continuam a chegar novas informações às mais variadas polícias, sem que nenhuma se confirme. Os McCann mudaram os tarecos, temporiamente claro, para Marrocos. Mais uma vez foram no encalce da sua menina, e uma vez mais levaram 500 mil televisões, rádios, jornais e revistas atrás mais os não sei quantos milhoes de dólares prometidos e que davam jeito a muitos bolsos. Por um lado realmente admiro todo este folclore, é muito bonito e ainda se calhar, muito se calhar vão encontrar a criança. Mas por outro penso noutra situação: Se por acaso o meu nome não fosse Madeleine McCann e sim Madalena Martins e não fosse britânica mas sim portuguesa, filha de pais nao médicos riquíssimos mas sim de um pequeno comerciante e de uma empregada doméstica, se eu fizesse parte da classe média baixa e não conhecesse pessoas influentes, será que era assim procurada? Será que tinha atraído até mim todas as atenções dos meios de comunicação? provavelmente não. e muito de certeza, o Estado Português não me teria pago nada nem me teria facultado um psicólogo, um acessor de imagem ou quem quer que seja. Teria sido notícia durante 2 semanas, e mais tarde diria-se que afinal tinha ido parar a uma rede de pedófilia e tinha sido mais uma das crianças desaparecidas e não mais encontradas. Nem nunca os meus pais teriam sido financiados para percorrem toda a Europa e agora África para me procurarem, para fazerem o mesmo apelo em todos os países, para irem atrás de pequenas suspeitas; já sei que é melhor que nada. O que as pessoas não têm noção é que desde que a Maddie desapareceu já desapareceram mais de 1000 crianças na Grã-Bretanha e essas, coitadas sem fama mas com proveito, não aparecem no telejornal nem têm os pais, os padres e os psicólogos a sussurrar preces por elas.
Que se encontre a criança o mais depressa possível é concerteza o desejo de todos.

domingo, 10 de junho de 2007

dia 10 de junho, por favor.

hoje basicamente foi um daqueles dias engraçados. engraçado ao ponto de ser irónico e simplesmente absurdo. hoje é dia 10 de junho, mais um daqueles feriados. para não variar, tive que gramar com o pastel da minha mãe " olha por acaso sabes porque é q hoje é feriado?". é "dia de Portugal e das Comunidades" respondi-lhe prontamente. ao pensar no que realmente tinha dito, cheguei à conclusão que na prática não sabia o que era o dia de Portugal e das Comunidades. O pai, sempre erudito disse que antes este dia se chamava o dia da Raça. fiquei na mesma. Reparei que hoje todos os autocarros andavam com uma bandeira, nao sei se isso aconteceu so por ser feriado ou se eu ando completamente alienada. conclui que este dia serve para o Excelentíssimo Presidente da República distribuir medalhas a todos aqueles que tiveram o seu quê de importância para o país, importância variada, porque temos desde jogadores de futebol até empresas de ponta, por exemplo. Hoje o Excelentíssimo Presidente da República deu-nos as suas palavras de consolo que muito ajudam a levantar a moral, como todos os discursos minimamente políticos disse que a situação ia mudar e que os país ia evoluir ( tudo isto trocado por miúdos, tá claro!) e ainda mais, hoje finalmente percebi que apesar de ser Dia de Portugal e das Comunidades os assuntos são os mesmos, a mentalidade continua inalterável, somos aquele país em que muito se fala e pouco se diz. o "famoso" novo aeroporto de Lisboa, Alcochete, Ota ou quiçá outra nova cidade que irão inventar de propósito para o receber, muito continua a ser falado e pouco decidido. arriscamo-nos assim a, dentro de poucos anos, ver os voos para Portugal desviados para Espanha. e aí, vamos continuar a discutir de quem foi a culpa e a dizer que a culpa é afinal da nossa posição periférica e da falta de investimento estrangeiro.

não há quem compreenda.
no meio de tudo isto, coitado do Luís de Camões, a quem lhe roubaram o portagonismo e o feriado. este sim, devia receber uma medalha.