terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Lost!

minha querida:
acho que todos os dias penso em ti. desde que fugiste depois de teres largado a bomba, não sei que sentimentos nutro por ti.
tenho sempre imensa vontade de te escrever. mas a tua solidão assusta-me. cada vez que me escreves fazes-me sentir que és a pessoa mais infeliz do mundo. eu sei que o dever de uma amiga é ajudar. mas eu também já precisei de tanta ajuda, numa altura em que todos desapareceram e ninguém ficou, para me ajudar a suportar a dor. achas que também nunca tive noites de insónia? já tive, e nunca foram muitas. as suficientes para saber que não é um fenómeno normal e que não conseguir dormir é uma defesa, mas também um tormento que nos aproxima de tudo o que nos magoa.
houve uma altura em que achava que o "amor incondicional" existia e sabia e jurava com toda a certeza que nada, nada, nada nos afastaria. agora não te asseguro nada. desde agosto que prometi a mim mesma libertar-me de uma série de teias que me mantinham. talvez tenha tecido outras mas até agora ainda não me arrependi.
não sei se alguma vez sentiste a sensação de solidão verdadeira. aquela em que só estás tu e o silêncio e, por vezes, algumas lágrimas, lágrimas de tristeza, de medo e raiva. as lágrimas que nos fazem sentir vivos, aquelas que nos asseguram que o sofrimento existe. eu já senti isso. não sei se a culpa é da tal ínsula que te mantem viciada no teu próprio sofrimento mas a minha ínsula faz-me ser viciada em boa disposição. faz-me ter força para enfrentar um dia após o outro. e faz-me viver e sentir-me viva.
tu foste o meu porto de abrigo, e um porto de abrigo não se destrói de um dia para o outro. abriga-nos, sempre. e quando falha o abrigo, pelo menos não desaparece.
eu não sei, quando estiver contigo não sei o que te vou dizer. nunca foste muito dada às palavras. aquilo que sentes raramente dizes. aliás, eu nunca te conheci. e provavelmente essa foi a maior traição. cada vez que penso nisso imagino uma sucessão de mentiras e chantagens, incontroláveis.
nunca desistas de viver, agarra-te pelo menos à crença que tens que ter em ti própria, valoriza-te, ajuda o mundo. não vivas fechada em ti, num vazio que te deprime a cada dia que passa.
só gostava que tivesses estado aqui, depois, para me pedires desculpa. agora não sei se quero ouvir, não sei se me deva conceder a esse luxo. já nem sei se vale a pena depois de tudo o que batalhei para conseguir deixar ir.
sinceramente não sei se estou melhor assim, há muito tempo que não falo comigo mesma. somente sei que não quero repetir a experiência, não quero ver a cena a decorrer na minha cabeça uma e outra vez.
acho que sou feliz, mas também prefiro não pensar muito nisso.
vê se encontras o teu caminho.
qualquer coisa
hoje e sempre,
s

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Greatest love of all

Pensas que me afasto por orgulho. Pensas também que sou demasiado fraca, que sou infléxivel, que não quero saber. Mentira.
Todos os dias penso em ti.. se me perguntares se ainda te sinto, se ainda me apetece que entres esbaforido pela casa dentro, dizendo "meu amor, estava a ver que não chegava a casa, tive imensas saudades tuas".. não sei. Não me apetece. Apetece-me que tudo fosse como antes. Apetece-me companhia, alguém a quem eu não tenha que me dar a conhecer de novo, alguém com quem eu possa partilhar uma manta quentinha, um sofá apertado, um guarda-chuva demasiado pequeno, uma t-shirt cinco tamanhos acima. Só gostava que esse alguém existisse para me poupar a mais uma desilusão por certo. Já te disse, contigo não consigo. E quem me dera conseguir. Quem me dera que um dia, quando eu adormecesse no sofá, cansada de mais um dia extenuante, tivesse alguém que me tapasse docemente e dissesse que quando fossemos grandes iria ser sempre assim. Quero um beijinho de boa noite. Quero ter um motivo de pensamento que não seja uma preocupação. Um pensamento agradável. Porém não sei sequer se tenho tempo de me despreocupar. Não sei onde te conseguiria encaixar.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

diary

I'd like to be the girl that i was back then. Back then i had a true life, a fulfilled one with friends, lover, family, plans... no, not just plans, but important plans. Now it seems that everything was torn apart. I try so hard everyday to keep myself straight, everytime i try to forget, remembering not to cry when i feel a taste of your smell. and the more i try, the more impossible it seems.
Once you get used to have company, once you know that without speaking you can talk hours and hours it is complicated to live in this solitude. I can asure you: you're not the only one who's feeling alone. The difference is that you deserve it and i... i... it was not my fault.
a week ago, at lunch time, i concluded that the most terrible feeling is when you don't have any one who cares for you. not a single worried message in the fucking cellphone. whenever i find someone all things seem empty. it seems that it couldn't never work out. and i can't deal with it. i am not strong enough. someone, one time told me that i was too spoiled. the fault is mine, though.