terça-feira, 13 de Maio de 2014

Blindsided

Hoje, como já não fazia há meses, procurei uma razão para ter de falar contigo.
Um livro que tivesses cá deixado, uma mensagem por explicar, uma peça de roupa, qualquer coisa que permitisse a aproximação.
Que levasse a uma entrega em mão, onde eu aproveitasse para chegar perto, sentir o teu cheiro a roupa lavada, visse os teus olhos verdes ou a maneira como o teu bigode bate nos lábios enquanto falas. Tudo isto enquanto me tocavas ao de leve com as pontas dos dedos frias como o teu mês de Janeiro.

sábado, 14 de Dezembro de 2013

Tens que largar a mão

Se um dia me levarem pede-lhes que me tragam aqui antes de ir. Só para que possa ver as curvas da areia que são moldadas pelo mar. Deixa que possa sentir a maresia a entrar pelo nariz e a encher os pulmões do ar mais puro.
Se algum fia me levarem explica-lhes que tenho de ver a espuma das ondas e adormecer com o barulho que fazem.
Se um dia me levarem, por favor deixa-me guardar um frasco da areia que deixo escorregar entre os dedos, infinitas partículas diferentes.
Se algum dia me levarem, implora para me trazerem aqui, à casa dos sentidos, onde o sol me bate na cara, na sua pujança amarela que se repete dia após dia.

07/12/2013

segunda-feira, 21 de Outubro de 2013

Hallelujah

Emocionam-me as pessoas simples. Aquelas de quem podemos esperar reacções genuínas.
Pessoas que não tenham a complexidade de quem passa demasiado tempo a perguntar-se o que faz aqui. Emociona-me que se liguem. Que estabeleçam verdadeiras relações com o mundo onde sabem que têm de viver, e que o façam naturalmente e sem esforço.
Essas pessoas fazem-me chorar.
Carregam em si qualquer coisa de puramente generoso, altruísta e pouco interessado e personificam o conceito de amor.

segunda-feira, 22 de Julho de 2013

Gymnopedie no.1

E quanto mais gosto, mais descubro que gostar é um compromisso com os outros, que ao olharem para o que temos, retiram a genuinidade daquilo que não deve ser partilhado.

quinta-feira, 11 de Julho de 2013

St. Apollonia


Ainda olho por cima do ombro de cada vez que entro na estação, com esperança que lá estejas a olhar por mim enquanto me encaminho para o metro.




segunda-feira, 29 de Abril de 2013

Samba do avião

Um dia disse-te que tinha dentro de mim uma moça do Rio de Janeiro que ficava todos os dias a ver o mar da sua varanda em Copacabana, ouvindo Tom Jobim, João Gilberto ou Vinicius..

Prestaste atenção. Mimaste essa moça e por vezes conseguiste fazer com que desviasse o olhar das ondas que teimava em não deixar de observar.

Mas o melhor era quando ficavas com ela também a ver o mar e a ouvir a música ao longe. Quando deixavas que te agarrasse os dedos, contra vontade, e deixavas que te cheirasse a covinha atrás da orelha sem nunca desviar o olhar das ondas, da a imensidão do azul que a acalmava. O mar era o nosso mar. Onde nos entendíamos sem falar. O simbolismo daquilo que fomos.


terça-feira, 12 de Fevereiro de 2013

I can't make you love me

Ainda cá estás. Não saíste, nem queres, nem vais, nem eu deixo.
Nem eu deixo.
Nem eu consigo.


No outro dia vi-te numa memória antiga. Não te procurei mas apareceste, sem me preparares.

Não estava preparada. Para ter parado. Estacado em ti, naquilo que foste no dia em que me apaixonei por ti. Naquele dia.

Onde estás?

Ainda móis. Todos os dias me acordas da rotina que estabeleci para te esquecer. A verdade talvez seja que todos os dias te procuro. Mesmo sem querer, procuro-te em tudo aquilo que deixaste para trás.

Porra, tenho tantas saudades tuas.