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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

12/05/2025

Saltei da prancha alta

Para o lago que não tinha fundo

E eu que achava que sabia nadar

Flutuar, pedir ajuda

Acabei afogada em mim própria

Sem conseguir libertar-me das camadas de roupa pesada

Do pânico

Imóvel e petrificada

Assistindo à luta do lugar do espectador

Enquanto me fundia com o verde opaco da água,

que de tão fria já se tinha

tornado quase confortável.






Retiro I

Nem consigo começar a escrever

Uma forma de descrever

Como é que as peças todas colocadas

Não fizeram sentido antes

E de como precisei de me partir

Para acabar por descobrir

Que só precisava de ajuda para despir

Todas as camadas que me impediam de aqui chegar.

Tal e qual como sou

Passando por todos os obstáculos

Pedindo eventualmente uma mão

Sem espectáculos

Pronta para encarar a dor, o medo e

o pavor para me encontrar.

E aqui estou eu:

A postos para falar quando não

concordo, mas protegendo a minha paz,

deslumbrando-me com o mundo em redor

todos os dias como se fosse a primeira

vez.

terça-feira, 17 de setembro de 2024

17/09

As vezes pergunto-me se já aconteceu a última vez em que senti a quase faísca de tocar alguém pela primeira vez. De despir alguém sem saber a rotina, de tocar a pele de galinha nuns braços que se vêem nus do que os protegia.

terça-feira, 21 de novembro de 2023

Mãe universal

Sou mãe de uma,

sou mãe de todas

Porque imagino a minha,

em cada uma das outras

O choro da minha,

nas lágrimas das outras

A tristeza da minha,

na miséria das outras

E com isso vem o desejo de ser colo universal

de as salvar de tudo o que as magoe

e do que as faça duvidar da magia que o mundo encerra

quando os homens não se põem a lutar

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

11/10/2023

Eu não tenho de olhar para cima quando ouço os aviões

Eu não fico nervosa quando ouço os aviões

Eu não corro quando ouço os aviões

Os aviões passam e eu continuo viva

sábado, 10 de setembro de 2022

A praia

Hoje será, muito provavelmente, o nosso último dia de praia das férias. Escrevo esta frase melancolicamente enquanto imagino a despedida. Costas viradas para o areal longo, o mar bravo espalhando as suas gotículas de sal e os cabelos revoltos, despenteados da brisa salgada.

Despeço-me também do encanto que foi ver a praia através dos olhos dela. A felicidade das coisas simples: a piscina na maré vazia, as pazadas de areia, as sestas debaixo do chapéu enquanto o vento belisca o pano que o tapa.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

Last Hour

Há viagens que fazemos e nas quais não nos deslocamos. Viagens sem sair do lugar. Sonhos, livros e sons poderão levar-nos lá. Mas não é desse tipo de viagens que falo hoje. É um tipo de viagem mais transformadora pois dura 40 semanas. 10 meses de intensa descoberta de mim e da forma como me projecto no mundo. A amplitude de sentimentos inexplicável: a esperança, o desespero, uma espécie de abandono do eu ou o constante deslumbramento com a inata capacidade feminina de me transformar, de criar do zero, de uma forma quase automática, imparável.

À medida que a minha barriga expande, que as minhas ancas alargam e que as minhas mãos e pés crescem, viajo cada vez mais fundo até às profundezas daquilo no qual me vou tornar, daquilo do qual fugi e das coisas que tenho a certeza querer deixar para trás.

Por cada semana que o calendário leva, diminui o controlo, toma conta o deixar ir, a sensação de que apesar de já termos atravessado 3 estações juntas, a viagem está quase a acabar.

A casa tornou-se pequena para albergar esta viagem. Está na altura de avançar.




quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Everything is so clear when the snow is dancing

Eu tenho música em mim.
Mesmo podendo não parecer.
Por entre a neve a cair lentamente
ouço ao longe um piano a gemer
sem descanso.
E sei, imbuída de toda a paz interior
que somos um só.
Vibramos ao som das estações
que lá fora desfilam
sem autorização
com toda a naturalidade
sem forma de serem paradas
trocadas, saltadas.
E nem quando eu parei
quando chegou o tempo de me isolar
elas deixaram de avançar
ou o piano de tocar
pois o metrónomo não descansa
enquanto durar esta nossa dança.

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Just Like Water

 

 If only I could talk about the sea of people

that live in my head everyday.

The ones I loved

and how I loved them

so intensely, so fiercely, so out of control.

The ones I pretend to have left behind

still navigating in me

every time I forget to put my walls up

Or when I don't remember how to swim.





quarta-feira, 1 de julho de 2020

Variação Sobre Verão II



Pelos prados me imagino a correr para fugir ao caos que hoje me preenche.
Normalmente a cabeça não se importa de estar fechada, confinada, protegida. Não quer saber porque sonha, sonha, sonha, expande-se para além dos limites que lhe imponho.
Mas há dias em que a liberdade grita mais alto, em que o vento se sente com mais saudade e que o mar parece murmurar cada vez mais longe.
Há dia em que tudo o que achei ter construído se desmorona e baralha como peças de puzzle por acabar e encaro novamente a impostora que se esconde por trás do embrulho quase perfeito.


terça-feira, 3 de março de 2020

Sobre a importância de valor próprio

Há na auto-estima uma componente social.
Não é por se chamar «auto» que garantidamente é formada por uma processo pessoal de avaliação.
Assim devia ser pois todos nascemos com um valor incalculável próprio, mas não é.
Vejamos a situação actual em que me encontro. Feliz por poder escrever e investir tempo nas coisas que gosto mas com uma necessidade diária de avaliar o meu auto valor. Como se este fosse definido por qualquer papel expectável de ocupar socialmente.
E só quando paramos, desprovidos de direcção e rumo nos encontramos com este medo, com este bicho. Quando nos afastamos das ideias pré-concebidas do que devemos ser e onde devemos estar.
E a partir daí ficamos sozinhos, pesando tudo aquilo que julgávemos ser, na mesma balança do que actualmente somos. Na esperança de descobrir o tal valor absoluto, inigualável, total.
Pois só esse conta, só esse deve ser o que verdadeiramente importa.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

The Build Up


Da quantidade de histórias que podia contar, decidi apresentar um breve retrato de uma menina-mulher.
Menina-mulher? Sim porque na indecisão daquilo que é concentra-se logo o primeiro problema. Como podem exigir que seja mulher se ainda vibra com as estações do ano ou com os campos cheios de flores?
Bem, seja menina-mulher. De olhos pequenos e cabelo farto procura todos os dias a essência daquilo que é verdadeiro. Não de verdade. A verdade pouco importa pois já aprendeu a não lhe dar todo o significado e peso habitual. Então prefere o que é verdadeiro, mesmo que intocável, não palpável.
A menina-mulher escolhe aquilo que a acha completar. Estará escrito num livro que nunca leu, numa música escondida no lado B de um álbum que nunca ouviu, ou nos lábios quentes de alguém que nunca beijou?
Enquanto não encontra, a menina-mulher foca-se naquilo que conhece e que sabe 100% corresponder ao tal verdadeiro.
Por entre os cobertores que a protegem do mundo lá fora e com o chá que a conforta, a menina-mulher sabe que a absoluta paz se encontra nas coisas simples e é a elas que se agarra. As paredes não a contêm. Tal como os pinheiros bailarinos que do lado de fora dançam com a brisa desta estação por chegar, a menina-mulher sonha, sonha. O verdadeiro vai acabar por chegar.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

My Jinji

Como posso explicar que apesar de tudo o que tenho, há dias em que acordo num sobressalto, com a tua imagem tão viva?

Como posso explicar que os sonhos se encarreiram assim desta forma, tentando apresentar-me explicações para aquilo que ficou por saber?

Como posso explicar que às vezes, depois de acordar subitamente, sei que te vi? Que fico esticada na cama à espera de adormecer rapidamente, uma outra vez, só para te continuar a olhar - os teus fios de ouro ao sol...

Como posso explicar que ver a tua cara e o teu pescoço bronzeados é como conseguir aproximar-me de uma porta que ficou fechada sem chave?




domingo, 6 de janeiro de 2019

Apocalypse

Para quem era um desejo de duas noites, falavas bastante.
A mim nunca me tinham dito que os desejos falavam e que diziam verdades assim.
Ou até mesmo que se repetiam e aconteciam fora dos limites que achámos impostos.

Talvez tenhas aparecido como desejo, mas agora sei que tinhas uma missão maior.

Uma missão para além do prazer, das noites mal dormidas, dos dias que passamos de cortinas fechadas na cama branca do hotel onde nos descobrimos até ficarmos sem fôlego.
Meu desejo falante, como me tiraste as medidas, como me deste asas, como me fizeste sentir especial, sensual, à vontade, sem correntes.

Por cada vez que imagino o teu peito interminável, a tua barriga delineada, o teu cheiro doce, os teus braços fortes, o colar de um continente que não era o teu, que eu mordi, que me tocou com aquele frio metálico... imagino também o que me disseste, o que me fizeste sentir. Como se existisse um outro destino, uma legitimação da minha forma de ser, ou por outro lado uma calma eterna depois da busca.

Foste medicamento rápido, gripe pesada que passou em 3 dias, tranquilidade depois da chuva

Dziękuję.




quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Crer- Sendo

Eu não sei como me tornei
- Viciada na curiosidade
- Na troca de cheiros
- No ter mais do que devia

Pergunto-me se foste tu que
- Me fizeste sentir que ficava aquém
- Que não era suficiente
- Que não chegava

(só podes ter sido tu, foste tu)

E assim me deixaste para sempre
- Marcada
- Caçadora de sensações
- Vivendo vidas paralelas
- Sem satisfação

Sempre ao espelho à espera de
- Uma outra relação
-Uma diferente família
- Uma nova experiência
- Outro eu


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Into Dust

Conclui então que não te amo cada dia mais como normalmente dizem os casais apaixonados.
Para nós, cada dia se tornou apenas mais um dia que passa no embalo da rotina de quem vive junto e pouco tem para explorar.
Passo a pente fino todas as oportunidades que teria para me reinventar para encontrar alguém com quem me identificasse intelectualmente, com quem pudesse ficar nua no sofá a ouvir bossa nova e a ler infinitamente. Com quem pudesse cantar no banho e libertar-me de todos os constrangimentos da nossa falta de espontaneidade.
Acalmar este tornado que não pára de girar.
Oscilo entre a ideia de amor para sempre e todas as possibilidades de poder sentir aquilo que nunca senti. As pessoas especiais que se cruzam no meu caminho e a vontade de chegar a casa e de tu estares cá.
A estagnação versus a multiplicidade.
O poder recriar-me de cada vez e a vontade de nada ter de explicar, porque já sabes que assim sou.
O sair sem olhar para trás e o voltar para o cheiro que conheço.
A paixão e o companheirismo. 

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Caminho de Voltar

Vou-te então escrever sobre a minha última viagem, para te tentar explicar que não foi um sonho o que acabou de acontecer.
Na terra dos mil sorrisos, fartei-me de rir contigo. Sentada na mota, com o vento pegajoso a colar-me os cabelos à cara, fui absorvendo cada detalhe do percurso. Vivendo no presente, sem antecipar nenhum momento, nada do que se ia passar, inteiramente entregue à tua escolha e vontade.
Vi as estacas, os tectos de palha, as scooters e senti o cheiro a churrasco. Vi as árvores do pântano e o céu cada vez mais carregado, a orquestrar, a preparar...
Senti cada momento daquela viagem, cada toque acidental do meu peito contra as tuas costas e os arranques inesperados da mota que me obrigavam a agarrar-te e a entrelaçar os meus dedos na tua barriga. 
Impossível é de descrever os mil sabores do caril verde e o coco adocicado do batido de manga. Tu enquadrado na paisagem da ilha que atrás de ti ia escurecendo a pouco e pouco. Os teus lábios.
O vento nas pestanas, a minha cara fria e tudo voando, voando enquanto deslizávamos pela floresta em direcção a outras paragens.
Mostraste-me a praia de noite e entre as ondas que iam e vinham a natureza tratou de nos fazer testemunhas do espectáculo lindo que tinha preparado só para quem estivesse atento: uma trovoada distante, sem som. Uma sucessão de clarões que iluminavam as nuvens como se de uma montagem de luzes se tratasse. Apreciei o nosso silêncio e como me sinto confortável nele. Como é cheio mas tão leve.
Até juntos estivemos nos momentos que nos são alheios. A música alta, a falta de substância e as ruas iluminadas, apinhadas, apinhadas. E até aí encontramos um pequeno recanto para voltarmos a partilhar o que ambos gostamos sentados numa mesa de plástico e banquinhos lado a lado onde eu juro que senti o tempo a parar.
A tua confiança, o teu à vontade e o cheiro que ficou na tua camisa depois desta noite, envolveram-me num abraço cheio de ti. Cheio de nós, no qual eu consegui perceber que também não foram acidentais os teus dedos nas minhas pernas ou a tua mão a procurar-me numa rua movimentada.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Justo Agora



Há quatro anos que és o meu amante cerebral. Não espero do teu lado carinho, amor ou pés aquecidos mas sim que me dês ar, uma bomba de oxigénio puro, cheio, qualquer coisa entre uma brisa marinha e a aragem a relva de um prado.
O meu cérebro precisa de ti. Não todos os dias, não todas as semanas mas sempre que algo é mais complexo, maior do que as palavras. Quando as ideias não passam de flashes na minha cabeça, quando preciso de discorrer sobre tudo aquilo que quero e não quero fazer a seguir. Quando preciso de sair da vida real.
Alimento-me das tuas palavras e dos teus planos. Imagino a vida que tens quando não estamos conectados ou a vida que perdi quando decidi não te escolher.
Nunca quero que deixes de me atiçar e de me fazer querer ser melhor. Quero-me corresponder contigo para sempre, como dois apaixonados separados por um continente, como se os meus postais tivessem de viajar no porão de grande barco de madeira, da Europa para as Américas distantes, quiçá tropicais.



quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Death with dignity


Sonhei contigo toda a noite. Com os teus cabelos dourados ao sol, com o cheiro da tua pele depois do mar e com a tranquilidade que sempre tinhas no teu olhar. Aquela serenidade, que encontro tão poucas vezes. Já não te revisitava há meses. A cisão foi tão forte que me proíbo de pensar em ti. Foste amor forte, potente, viciante, doloroso. Foste luz e sombra.
Mas hoje deixei-me ir.
Cada vez que voltava à realidade, ao meu quarto escuro, ao cansaço do meu corpo, forçava-me a adormecer para voltar a ti. Para te ver, para sentir que existes em mais locais do que na minha memória, nem que seja temporariamente, anualmente nos meus sonhos.
Eu gostava de saber... se nunca mais pensaste em mim, se me conseguiste apagar completamente das tuas recordações. Porque eu não. Revisito as poucas fotografias que tenho tuas e tento reconstruir todos os pormenores do dia em que ficaste para sempre em imagem.
E sabes o que é pior? Eu digo-te
Acordar com aquela sensação agridoce.. a pessoa que está ao meu lado na cama não és tu. A pessoa com a qual reconstruí a minha vida não és tu. Onde estás tu? O que fizeste nos últimos 4 anos? Meu vício, minha destruição, meu pesar no coração.

sábado, 12 de novembro de 2016

Le moulin

Tudo o que te rodeia é responsável pela permeabilidade dos teus sentimentos. Como quem anda à chuva mal preparado e quem salta poças sem pensar no que tem calçado, qualquer falha, qualquer falta de aderência é o suficiente para te molhares. O mesmo acontece com as emoções que estão à flor da pele. Qualquer nesga de abertura é o suficiente para te inundarem.